{"id":276054,"date":"2022-08-04T16:17:33","date_gmt":"2022-08-04T19:17:33","guid":{"rendered":"https:\/\/ppgsc.uea.edu.br\/?p=276054"},"modified":"2022-08-04T16:22:21","modified_gmt":"2022-08-04T19:22:21","slug":"precisamos-falar-sobre-violencia-da-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ppgsc.uea.edu.br\/index.php\/precisamos-falar-sobre-violencia-da-mulher\/","title":{"rendered":"Precisamos falar sobre viol\u00eancia contra mulher!"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-276055 aligncenter\" src=\"https:\/\/ppgsc.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/1.png\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"577\" srcset=\"https:\/\/ppgsc.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/1.png 1024w, https:\/\/ppgsc.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/1-980x552.png 980w, https:\/\/ppgsc.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/1-480x270.png 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Agosto \u00e9 o m\u00eas dedicado \u00e0 campanha de combate a viol\u00eancia contra a mulher, porque nesse m\u00eas foi sancionada a Lei Maria da Penha, no dia 7 de agosto de 2006. A Lei \u00e9 em homenagem \u00e0 Maria da Penha que ficou parapl\u00e9gica em consequ\u00eancia das agress\u00f5es que sofreu do seu c\u00f4njuge na \u00e9poca, se tornando assim s\u00edmbolo da luta contra a viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 1994 durante a 1\u00ba Conven\u00e7\u00e3o Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Viol\u00eancia contra a Mulher definiu-se que a viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 \u201cqualquer a\u00e7\u00e3o ou conduta, baseada no g\u00eanero, que cause morte, dano ou sofrimento f\u00edsico, sexual ou psicol\u00f3gico \u00e0 mulher, tanto no \u00e2mbito p\u00fablico como no privado\u201d (Art. 1\u00b0).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Grande parte das viol\u00eancias cometidas contra as mulheres \u00e9 praticada no \u00e2mbito privado e por pessoas pr\u00f3ximas \u00e0 sua conviv\u00eancia. Por ser uma rela\u00e7\u00e3o de cunho \u00edntimo \u00e9 normatizada, uma vez que pessoas que est\u00e3o dentro ou fora do c\u00edrculo familiar acham que n\u00e3o devem intervir, tal situa\u00e7\u00e3o torna dif\u00edcil a den\u00fancia e o relato das v\u00edtimas, e faz com que a mulher agredida permane\u00e7a naquela situa\u00e7\u00e3o e se torne ainda mais vulner\u00e1vel \u00e0 viol\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m n\u00e3o \u00e9 apenas no campo dom\u00e9stico que as mulheres s\u00e3o expostas \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia. Elas podem sofrer viol\u00eancia institucional, por exemplo, a omiss\u00e3o no atendimento em estabelecimentos p\u00fablicos ou n\u00e3o, onde s\u00e3o mal tratadas. Podem passar por ass\u00e9dio, que ocorre no ambiente de trabalho, em locais privados e lugares\/transporte p\u00fablicos. Podem ainda ser traficadas com finalidade de explora\u00e7\u00e3o sexual, servi\u00e7os for\u00e7ados, escraviza\u00e7\u00e3o ou casamento servil que tamb\u00e9m s\u00e3o viola\u00e7\u00f5es graves nos direitos humanos das mulheres.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais podem ainda sofrer viol\u00eancia em fun\u00e7\u00e3o de sua orienta\u00e7\u00e3o sexual, desde agress\u00f5es f\u00edsicas e verbais at\u00e9 estupros corretivos (pretens\u00e3o de modificar a orienta\u00e7\u00e3o sexual). Mulheres transexuais tamb\u00e9m s\u00e3o grandes alvos de agress\u00f5es e m\u00faltiplas transfobias. O assassinato de pessoas trans aumentou 41% em 2020. Relat\u00f3rio da Antra (Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais) mostra que 175 mulheres trans foram assassinadas ano passado; 78% das v\u00edtimas fatais eram negras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pesquisa Vis\u00edvel e Invis\u00edvel realizada pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica em parceria com o Instituto de Pesquisas Datafolha em 2021, apontou que 1 em cada 4 mulheres brasileiras acima de 16 anos (24,4%), ou seja, cerca de 17 milh\u00f5es de mulheres, afirmaram ter sofrido alguma forma de viol\u00eancia durante a pandemia da Covid-19. Ainda, 5 em cada 10 brasileiros (51,1%) apontaram ter presenciado algum tipo de viol\u00eancia contra a mulher no seu bairro ou comunidade durante o \u00faltimo ano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esses dados s\u00e3o daquelas que sobreviveram a viol\u00eancia, mas infelizmente muitas mulheres morrem em decorr\u00eancia dela, e esse assassinato por quest\u00f5es de g\u00eanero; ou seja, pelo fato da v\u00edtima ser mulher, quando o crime envolve viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, menosprezo, discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher \u00e9 denominado como Feminic\u00eddio. \u00c9 preciso tipificar esse crime e nominar as mortes violentas de mulheres, chamando a aten\u00e7\u00e3o para esse fen\u00f4meno resultante da misoginia (\u00f3dio \u00e0s mulheres e avers\u00e3o a tudo que \u00e9 feminino) e machismo estrutural da sociedade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dados do Atlas da Viol\u00eancia divulgados em 2019 mostraram um aumento de 30,7% no n\u00famero de mulheres assassinadas de 2007 a 2017, ano em que foram mortas 4 936 mulheres, cerca de catorze por dia. As mulheres negras foram as mais atingidas, representando 66% de todas essas v\u00edtimas. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Estudiosos das quest\u00f5es de g\u00eanero apontam que a viol\u00eancia contra a mulher n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea, distribui-se de forma n\u00e3o igualit\u00e1ria entre regi\u00f5es, idades e ra\u00e7as.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> Com esses dados, podemos afirmar que as principais v\u00edtimas de Feminic\u00eddio no Brasil t\u00eam rosto, e ele \u00e9 negro e jovem.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 dever do Estado e uma demanda da sociedade enfrentar todas as formas de viol\u00eancia contra as mulheres, pois essa<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> viol\u00eancia \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica, educa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a p\u00fablica, uma vez que t<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">amb\u00e9m \u00e9 importante coibir e punir todas as formas de viol\u00eancia. Falar sobre a viol\u00eancia de g\u00eanero, suas causas e como evit\u00e1-la \u00e9 fundamental para promover mudan\u00e7a nas estruturas sociais, e essa medida deve come\u00e7ar ainda na escola.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c\u00c9 muito importante que esse tema seja debatido na universidade porque \u00e9 o espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento cient\u00edfico, de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das institui\u00e7\u00f5es. Estamos formando profissionais de todas as \u00e1reas e o tema da viol\u00eancia contra as mulheres perpassa por todos os campos, est\u00e1 presente na vida das pessoas de v\u00e1rias formas\u201d, disse a professora Elaine Pimentel, coordenadora do grupo de pesquisa Carmim Feminismo Jur\u00eddico da Universidade Federal de Alagoas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-276061 aligncenter\" src=\"https:\/\/ppgsc.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/3.png\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"577\" srcset=\"https:\/\/ppgsc.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/3.png 1024w, https:\/\/ppgsc.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/3-980x552.png 980w, https:\/\/ppgsc.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/3-480x270.png 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agosto \u00e9 o m\u00eas dedicado \u00e0 campanha de combate a viol\u00eancia contra a mulher, porque nesse m\u00eas foi sancionada a Lei Maria da Penha, no dia 7 de agosto de 2006. 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